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Brinquedo virou esporte e tem até campeonatos espalhados pelo Brasil.

Veja dicas dos "cubers" para quem quer virar craque.

Carol Patrocinio, especial para o iG | 27/01/2012 08:00

Cubo mágico: prática virou moda e tem campeonatos espalhados pelo Brasil. Você já deve ter visto por aí aquele famoso cubo de cores embaralhadas que dizem ser dificílimo resolver, certo? Com a nostalgia dos anos 1980, o brinquedinho conhecido como cubo de Rubik, ou cubo mágico, tem ganhado cada vez mais notoriedade, desde 2005, e hoje ganhou adeptos no mundo inteiro e até mesmo uma porção de campeonatos espalhados pelo Brasil.

Rafael Cinoto, organizador de torneios, contou ao iG Jovem um pouco da história e o dia a dia dos cubers, como são chamados os atletas praticantes. "Com a quantidade de tutoriais de resolução pipocando no YouTube, muita gente começou a aprender", explica.

Segundo Rafael, existem diversas competições no País, mas não há regularidade. "Nos últimos três anos tivemos doze torneios e 2012 promete haver mais", diz. Em fevereiro já estão marcados dois deles e em julho acontece o campeonato do SESC/Santos, o mais famoso deles e com maior número de participantes - em 2011 foram 120 inscritos.

No resto do mundo, o cubo mágico é celebrado e tem competições em diversas modalidades. Entre elas estão: montagem com uma mão (recorde de 9 segundos e 5 milésimos); montagem de cubo 2x2x2 (recorde de 69 milésimos); montagem de 3x3x3 com venda (30 segundos e 58 miésimos); e até mesmo montagem do cubo com os pés (recorde de 31 segundos e 56 milésimos).

Os praticantes de cubo mágico não têm treinadores e para começar, basta ter uma peça, que pode ser adquirida facilmente em lojas de brinquedo. "Geralmente, as pessoas aprendem a resolver fuçando na internet ou com algum amigo. O treinamento acontece sozinho mesmo, com a ajuda de fóruns de discussão", diz Rafael. Segundo ele, são comuns também encontros promovidos em shopping centers das capitais, ótimas oportunidades para troca de dicas.

O escambo de ideias é muito importante para a comunidade dos cubers. Rafael explica que muitos craques costumam passar dicas para os novatos e acompanhar a evolução em grupo. "Ensinei recentemente o Fábio Borges, que é deficiente visual, e agora temos encontros regulares para que ele aprimore suas técnicas e melhore seu tempo de resolução", diz.

Filho de cubinho...

Renan Cerpe começou a se interessar pelo brinquedo em 2007, com 14 anos de idade. No meio das bagunças da família, o estudante encontrou num caderno velho de seu pai a fórmula que ele usara para desvendar o cubo quando estava na faculdade, nos anos 1980. "Meu pai começou a reaprender e comecei junto. Não demorou muito e já estava deixando ele para trás", brinca.

Hoje o paulista consegue resolver o cubo em menos de 10 segundos, enquanto o pai está na faixa do 1 minuto e meio. "Ele ainda usa as fórmulas primitivas e eu entendo melhor das novas técnicas, mais avançadas", diz.

Empolgado, Renan criou o próprio site sobre cubo mágico, através do qual ensinou "milhares de pessoas" e, então, resolveu organizar o próprio campeonato. Atualmente com quarenta participantes de vários lugares do Brasil, seu torneio foi reconhecido pela federação internacional de cubers e Renan se tornou referência no assunto.

No ano passado, Renan conquistou o título de campeão brasileiro na modalidade 3x3x3, a mais conhecida delas, no torneio disputado em Nova Hamburgo, no Rio Grande do Sul. "Também já fui recordista Sul Americano em 2009 até que um chileno me bateu por centésimos de diferença (risos)", conta.

Nerd eu?

A técnica para desvendar o cubo mágico está sim na matemática. Mas nem por isso os cubes gostam de ser rotulados como nerds. Renan diz que o esporte está longe de ser exclusivo dos discípulos de Sheldon Cooper, de "The Big Bang Theory".

"Muitos pensam que é coisa de nerd, pois acham difícil resolver. Mas eu garanto que qualquer pessoa que se dedicar uma ou duas horas consegue aprender as lógicas e resolver", diz. Segundo ele, o cubo pode ser tão legal que até os mais radicais vão se divertir: "Ele também representa novos desafios", explica.

O mineiro Pedro Santos Guimarães, por outro lado, assume a alcunha, mas com um porém. "Gosto de lógica, matemática e computadores, mas eu sou um nerd 'light'", diz. O cuber de Uberlândia se interessou pelo cubo depois de assistir a um vídeo na internet, aos 16 anos, e desde então não parou de estudá-lo. "Até então eu achava impossível de resolver", lembra.

Sendo nerd ou não, a parte mais divertida do cubo é vencer o desafio e impressionar qualquer um que passar por perto!

Os mestres do cubo mágico dão 8 dicas para você virar um craque no cubo mágico:
1 - Fique ligado no assunto. Veja vídeos e trace o objetivo que pretente cumprir;
2 - Tenha muita paciência. A fórmula do sucesso não vai entrar na sua cabeça da noite pro dia;
3 – Treine bastante. O cubo é pequeno e pode viajar contigo no ônibus, para a praia e até no intervalo das aulas;
4 - Faça anotações. É uma maneira excelente de não esquecer as fórmulas. Outro jeito legal é gravar vídeos caseiros e reassistir para você lembrar qual movimento foi importante para a solução;
5 - Divirta-se. Errou? Não tem problema! É com os erros que você vai aprender cada vez mais. Sem crise;
6 - Pratique novas fórmulas. Aprendeu uma? Tente outra. E depois outra, e depois outra. Quando você menos perceber, vai estar combinando as receitas e ficando cada vez mais rápido;
7 - Treine a agilidade com os dedos e não com as mãos. O segredo está também no modo como você manuseia o cubo. O próximo passo a aprender com os pés;
8 - Pense que você pode ser ainda melhor. Não vale comemorar o sucesso depois da primeira solução. Existem muitas delas: você está só começando.

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